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UNITA ENTREGA AO PARLAMENTO RELATÓRIO SOBRE SITUAÇÃO SANITÁRIA EM CAFUNFO

Um relatório do Grupo Parlamentar da UNITA, que realça o surto de "malária complicada", que desde o passado mês de Setembro tem vitimado crianças da região de Cafunfo, no município do Cuango, província da Lunda Norte, vai ser entregue esta semana à Assembleia Nacional e aos Departamentos Ministeriais em razão da matéria, no sentido de alertar as autoridades nacionais para melhoria "urgente" deste quadro.

O documento produzido por uma comitiva parlamentar do partido do “Galo Negro”, que esteve a visitar a vila diamantífera de Cafunfo, entre os dias 26 e 29 de Novembro último, foi apresentado nesta terça-feira, 05, em Luanda, aos jornalistas de diversos órgãos de comunicação social.

O Presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Deputado Adalberto Costa Júnior, disse que o documento apresenta um conjunto de recomendações ao Executivo, com base em factos constatados, como a requalificação da vila de Cafunfo, a alocação de meios adequados para a recolha e tratamento de lixo, a reabilitação dos hospitais, bem como a fiscalização da gestão e utilização dos recursos destinados às unidades sanitárias locais.

SITUAÇÃO EM CAFUNFO

O Deputado Joaquim Nafoia que encabeçou a referida delegação parlamentar, disse que a deslocação à Cafunfo resultou de denúncias de populares e de igrejas sedeadas na região sobre a gravidade da situação sanitária daquela localidade.  

O parlamentar explicou que o Hospital de Cafunfo regista uma enchente de casos de malária severa em crianças e avançou que diariamente são registados naquele estabelecimento de saúde 05 a 12 óbitos.

Joaquim Nafoia disse que na visita ao citado hospital e no contacto com os familiares dos pacientes e alguns enfermeiros, a comitiva parlamentar apercebeu-se que a assistência medicamentosa é paga. Os fármacos e os meios hospitalares, ocasionalmente alocados à região, são desviados pelos próprios gestores hospitalares para as farmácias e postos de saúde privados, onde são comercializados.

Joaquim Nafoia rejeitou a ideia sustentada pelo Governo da Lunda Norte, segundo à qual, as recentes mortes por malária verificadas no Hospital de Cafunfo se devem a adesão tardia dos pacientes ao tratamento hospitalar, que em primeira instância são levados pelos familiares para a cura tradicional, vulgo “kimbandas”.

O parlamentar esclareceu que actualmente os médicos e enfermeiros do Hospital de Cafunfo limitam-se a passar receitas aos pacientes e em muitos casos é o próprio corpo clínico a cobrar valores monetários aos familiares dos pacientes para o atendimento, o que na sua opinião, tem levado os populares de baixa renda a recorrerem aos “kimbandas”.

O deficiente saneamento básico, a progressão das ravinas que arrastam os resíduos para rios frequentados pela população e a incapacidade da unidade pública de saúde de Cafunfo, são apontadas pelo Deputado Joaquim Nafoia, como as causas que estão na base do aumento da doença severa e dos casos de morte.

INTERVENÇÃO DA PGR

Por sua vez, a Deputada Clarice Mukinda, que também integrou a caravana parlamentar da UNITA na deslocação à Cafunfo, entende que o Governo da Lunda Norte deve ser responsabilizado por “omissão” da realidade que se vive naquela circunscrição do território nacional.

“Enquanto mulher e, humanamente não seria possível olhar impávida a uma situação daquelas e ouvir o clamor das famílias impotentes, que assistiam os seus filhos sucumbirem nos seus braços sem poder fazer nada”, lamentou a também Presidente da Comissão de Família, Infância e Acção Social da Assembleia Nacional (8ª Comissão), para quem o Ministério Público deve agir para chamar a razão as autoridades da Lunda Norte.

FALHA NOS REGISTOS

Em entrevista à Televisão Pública de Angola, nesta terça-feira, dia 05, o Governador da Lunda Norte, Ernesto Muangala, admitiu existirem falhas no registo do número de pacientes e de mortes por malária que ocorreram no Hospital de Cafunfo.

 O Governador atribuiu a falha a negligência no registo das vítimas, a forte pressão dos populares no momento do atendimento médico aos pacientes, bem como a frequência com que a doença é registada em Cafunfo, geralmente, no período chuvoso.

Ernesto Muangala não assumiu os números apontados pela UNITA e avançou que de Janeiro a Novembro de 2017, foram registadas no Hospital daquela vila diamantífera cerca de 80 mortes de crianças por malária.

“A população não aderia ao Hospital público pela fraca assistência. O primeiro passo era o tratamento tradicional ou socorriam-se em determinados postos de saúde ilegais, onde os profissionais não são reconhecidos na ordem dos enfermeiros e na ordem dos médicos”, frisou o Governador.

Ernesto Muangala garantiu ainda que já foi feito um trabalho de sensibilização junto dos cidadãos e que o estado sanitário da região tende a mudar para o melhor.