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UNIÃO DOS ESCRITORES ANGOLANOS ALMEJA MELHORES POLÍTICAS PÚBLICAS PARA CULTURA

A política cultural do país, questões relacionadas à língua portuguesa, bem como as línguas nacionais, o acordo ortográfico, aescassez de financiamentos e o pouco protagonismo no cenário da cultura nacional, foi uma das preocupações levantadas no encontro entre os deputados afectos a 7ª Comissão de Trabalho Especializada da Assembleia Nacional e os membros da Direcção da União dos Escritores Angolanos (UEA), realizado essa terça-feira, 11 de Junho, na instituição também conhecida como a “Casa do Poeta Maior”.

O Presidente da Mesa da Assembleia da UEA, Luís Kandjimbo, considerou o encontro oportuno, na medida em que foi possível expor o cerne da actividade literária que, segundo o mesmo, confronta-se com alguns desafios.

O estatuto de utilidade pública concedido à UEA é para Luís Kandjimbo um desses desafios, uma vez que, segundo o escritor, tal condição devia conferir àquela instituição alguns privilégios, que se traduzem na possibilidade de ter maior agilidade na contribuição para a realização de políticas públicas na área da cultura.

“Este é um ponto central porque tudo que tivermos que falar gravitará sempre a volta da forma como a União dos Escritores Angolanos pode contribuir para a concretização dessas políticas, sobretudo nas áreas em que intervém directamente, como na leitura, na edição do livro, no incentivo à criação literária e na difusão do conhecimento da realidade angolana através da literatura. São inquietações que têm derivações para várias áreas da vida”, explicou o Presidente da Mesa da Assembleia da UEA.

Luís Kandjimbo lamentou o facto da Lei do Mecenato, na prática, ainda não se fazer sentir na vida do escritor e, consequentemente, na vida dos leitores. O mesmo apontou ainda as debilidades no domínio da língua portuguesa como um dos obstáculos para o gosto pela leitura e maior divulgação da literatura angolana.   

A favor do Acordo Ortográfico, Luís Kandjimbo defende que nesse processo é necessário distinguir a questão política, que consiste em ratificar o acordo, e a questão linguística que consiste em produzir material suficiente que comprove científica e tecnicamente que há uma variedade angolana no português e há um vocabulário ortográfico nacional do português.   

APELO A DIGNIDADE

Ouvidas as preocupações e aspirações da UEA, o presidente da 7ª Comissão da Assembleia Nacional, Deputado Nuno Carnaval admitiu que é necessário atribuir maior dignidade àquela instituição, que também esteve na base da construção da angolanidade.

Para além das condições de infraestruturas é preciso que a nossa cultura e a nossa consciência colectiva angolana possam olhar para a literatura de forma diferente. Precisamos elevar e conferir maior dignidade e dar maiores apoios para que os escritores possam ser a referência moral. Para que possam constituir não só as suas obras, mas também o património e o acervo material e imaterial de toda uma cultura. Precisamos conservar essa cultura, vivendo-a e passando esta vivência de geração para geração”, defendeu o Deputado Nuno Carnaval.       

Constituída por trinta e dois escritores estatutariamente designados como “Membros Fundadores”, a União dosEscritores Angolanos foi fundada a 10 de Dezembro de 1975, tendo como 1º Presidente da Mesa da Assembleia Geral, o poeta Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola.

Fundamental no desenvolvimento cultural de Angola, a UEAliderou o esforço de reestruturação do campo literário no pós-independência.

As instalações da UEA contam actualmente com uma biblioteca, um cyber, um sector editorial, um auditório para 150 pessoas, um jango bar e aquele que é considerado o espaço nobre da “casa”, a Sala VIP, batizada de “Uahenga Xitu”.