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PARLAMENTARES APELAM À SENSIBILIDADE DAS FAMÍLIAS ANGOLANAS NA ADOPÇÃO DE CRIANÇAS

Mais um processo de adopção chegou à Casa das Leis. Nesta segunda-feira, dia 08, os deputados analisaram, em reunião conjunta, o pedido de autorização para adopção dupla da menor Noa Leonor.

Abandonada pela mãe biológica à porta do lar infantil denominado Anjo da Guarda, propriedade das Madres Catarinas, localizado na província de Benguela, Noa Leonor tem actualmente cinco anos de idade e desde os dois anos de vida que reside com os adoptantes, com os quais desenvolveu fortes laços afectivos conforme narram os dados constantes do processo.

Ao apreciarem o documento, os representantes do povo mostraram-se preocupados com as questões sociais das famílias adoptantes, que muitas vezes são esquecidas pelas instituições competentes no decorrer deste acto.

Para o deputado José Semedo, “é obrigação da Assembleia Nacional e do Executivo acompanhar a vida destas crianças como forma de avaliar os resultados e a eficácia da lei implementada, pois nem sempre as intenções daquele que acolhe a criança são as melhores. Temos que ver as questões afectivas e não apenas as materiais”.

Pedro Carlos de Brito Teixeira Trindade Berardinelli (angolano) e Maria de Almeida Seabra Trindade Berardinelli (portuguesa) pretendem receber e acolher a menor no seu agregado familiar. Esta adopção depende da autorização do Parlamento, por ser requerida por cidadãos estrangeiros.

Durante a discussão, vários foram os legisladores que salientaram e apelaram às famílias angolanas a adoptarem crianças carenciadas.

A deputada Maria do Carmo do Nascimento partilhou a sua experiência na qualidade de mãe adoptiva.

“Tenho uma filha adoptiva que está comigo desde os seus quatro anos. Hoje é médica e foi muito bem aceite no seio familiar. Sou de opinião que é imperioso criar-se uma comissão especializada em acompanhar estes processos na prática. Constatar se são mesmo filhas ou tornaram-se empregadas domésticas de muitos lares. A vida de uma criança é sagrada. Olhemos para isto com alguma paternidade”, explicou a também Presidente do Grupo de Mulheres Parlamentares.

De forma unânime, os deputados aprovaram o Relatório Parecer Conjunto do referido pedido de adopção que será submetido ao Plenário da Assembleia Nacional, no próximo dia 17 de Junho.