Uma delegação parlamentar sul-africana, composta por 13 membros, que participam na 43ª Assembleia Plenária do Fórum Parlamentar da SADC, a decorrer em Luanda, rumou nesta segunda-feira, dia 26, para o município do Cacuaco, que dista a 30 km da capital do país, com o propósito de visitar o "Marco Histórico de Kifangondo".
O Tenente Coronel Elísio Felipe Rodrigues e o Major Chico Kapassa conduziram a visita, naquele que foi o ponto de encontro das grandes estradas do norte de Angola, onde se desenrolou uma das mais violentas e decisivas batalhas da Luta de Libertação Nacional.
Acompanhada pela 1ª Vice-presidente da Assembleia Nacional, Joana Lina Cândido, a delegação parlamentar sul-africana, encabeçada por Baleka Mbete, Presidente do Parlamento daquele país africano, localizado entre os oceanos Atlântico e Índico, mostrou-se comovida com os acontecimentos que antecederam a proclamação da Independência Nacional, que se assinala a 11 de Novembro.
No dia 10 de Novembro de 1975, os bairros de Luanda registavam um movimento frenético de jovens, adultos, anciãos e crianças, para travar a as forças que queriam impedir a proclamação da Independência Nacional. Em Kifangondo era travada, entre as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola e a FNLA, com o apoio dos exércitos do ex-Zaire e África do Sul, a batalha que foi decisiva e que mudou o curso da história do nosso país.
No local da batalha, uma colina com vista para o rio Bengo, foi construído um Memorial da Batalha de Kifangondo, como um tributo a todos aqueles que participaram na Luta de Libertação Nacional. O memorial foi projectado pelo escultor Rui de Matos e inaugurado em 2004 pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
Baleka Mbete manifestou satisfação ao contemplar o monumento erigido, em memória daqueles que travaram o ímpeto do inimigo, que tencionava tomar de assalto a capital do país, para boicotar a proclamação da Independência.
“Para mim este lugar traz a memória a grande batalha dos povos desta Região de África. Os nossos povos tiveram de lutar pela sua independência, não a recebemos num tabuleiro de prata, tivemos que lutar muito. Portanto, ocasiões como esta, que nos fazem recordar tudo aquilo por que passamos, constitui uma grande honra para nós (amandla), que significa força e determinação”, exprimiu a Presidente do Parlamento Sul-africano.
PROCLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA
A Batalha de Kifangondo, propiamente dita, iniciou a 23 de Outubro de 1975, quando o inimigo posicionado no “Morro do Cal”, e na posição de um batalhão ELNA (FNLA), I Companhia de mercenários portugueses, três companhias de outros exércitos e um pelotão regular sul-africano de canhões de 130 e 149 mm, entra em ofensiva com a intenção de romper as linhas de defesa, ocupar as posições das FAPLA e iniciar a marcha final com destino à Luanda. Foi, ali, estabelecida a linha de contenção das forças invasoras que progrediam aceleradamente desde a fronteira Norte, para impedir que a 11 de Novembro de 1975, o MPLA proclamasse a Independência Nacional.
É de salientar a participação primordial de oficiais cubanos, dando início à “Operação Carlota”, uma estratégia de batalha, que se estendeu por 16 anos e envolveu mais de 400 mil cubanos, que facilitaram, em primeira instância, o corte da via de acesso à cidade de Luanda, impedindo a entrada das tropas estrangeiras, antes da proclamação da Independência de Angola, às 23h do dia 11 de Novembro de 1975, pela voz de Agostinho Neto, que declarou, "diante de África e do mundo proclamo a Independência de Angola”, culminando assim o périplo independentista, iniciado no dia 4 de Fevereiro de 1961, com a Luta de Libertação Nacional.
A “Operação Carlota” viria a ser concluída em 1991 com a retirada de todas as suas tropas, depois de alcançada a independência da Namíbia e a libertação de Nelson Mandela. No entanto, o que era para ser apenas uma intervenção de ajuda ao MPLA para expulsar do território angolano o inimigo, transformou-se numa intervenção de larga escala que duraria 16 anos e envolveu não apenas soldados cubanos, mas também, médicos, engenheiros e professores.
A delegação parlamentar sul-africana conheceu também, por via de vídeo e galeria de fotos, os personagens, os lugares e as marcas de tudo aquilo que libertou Angola, nomeadamente, o material bélico capturado do inimigo, datas como o 14 de Novembro de 1975, que marcou a tomada de posse do 1º Governo de Angola, o 15 de Novembro de 1975, que sucedeu a 1ª Reunião do Conselho de Ministros da República de Angola, bem como o 24 de Março de 1977, data da primeira visita a Kifangondo, de António Agostinho Neto, primeiro Presidente da República de Angola e de Fidel de Castro, na época Presidente da República de Cuba.
O Monumento Histórico do Kifangondo foi erguido no início da década 2000, pelo Ministério das Obras Públicas, com objectivo de garantir que as gerações vindouras tomassem conhecimento dos verdadeiros factos, que antecederam a independência do país.