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DEPUTADOS VISITAM PARQUE NACIONAL DA QUIÇAMA

Com o propósito de celebrar o Dia Nacional do Ambiente, assinalado a 31 de Janeiro, uma delegação parlamentar chefiada pela Presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional (5ª CTE), Deputada Ruth Mendes, deixou neste sábado a cidade capital rumo a província do Bengo, que dista a 75 kilometros de Luanda.

O destino foi o Parque Nacional da Quiçama, uma das maiores mostras da fauna e flora angolanas. E para lá chegar, os deputados arriscaram uma travessia de barco ao longo do rio Cuanza, onde puderam vislumbrar um cenário natural, sem igual.

No interior do Parque Nacional da Quiçama, que ocupa uma extensão de cerca de 9.600 km2, o percurso foi feito com viaturas todo o terreno. A paisagem imponente e a variedade da vegetação não deixou ninguém indiferente, nem o sol abrasador desencorajou a delegação parlamentar, conduzida pela Ministra do Ambiente, Paula Francisco, de desbravarem as zonas de floresta tropical, cobertas por mangais e árvores de grande porte escondendo cenários de savana e numerosas lagoas que se desenham ao longo do percurso.

Reconhecido em 1938 como reserva de caça, foi posteriormente elevado a Parque Nacional no ano de 1957 pela necessidade de preservação dos diferentes ecossistemas existentes na área. Antes do conflito armado o Parque albergava uma extensa população animal, da qual se contavam três mil pacaças, 800 elefantes e a palanca-negra gigante, símbolo nacional angolano. Após duas décadas de guerra civil, a anulação de várias espécies ditou o abandono daquele que durante vários anos foi o único parque nacional de Angola em funcionamento.

Hoje, a diversidade da fauna e flora do local fazem novamente da Quiçama um habitat privilegiado para dezenas de girafas, elefantes e impalas, zebras, aves diversas, entre muitas outras espécies.

Atentos à preservação da biodiversidade das espécies e ao papel essencial que esta desempenha no equilíbrio do meio ambiente, o Parlamento aprovou recentemente a Lei das áreas de Preservação Ambiental, referiu a Deputada Ruth Mendes, Presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional.

Apesar de reconhecer o “enorme” potencial turístico do Parque Nacional da Quiçama, a parlamentar apelou a melhoria dos serviços oferecidos localmente para que, de facto, possa atrair visitantes, quer nacionais, como estrangeiros.  

 

PROJECTOS DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

Por sua vez, a Ministra do Ambiente, Paula Francisco, destacou a necessidade do incremento da dotação orçamental atribuída ao seu pelouro para a promoção de mais projectos de conservação que permitam preservar a fauna e flora locais.

A problemática dos fiscais florestais foi também trazida a reflexão, como forma de redobrar a vigilância dos parques, reforçar a prevenção e combate dos crimes ambientais e conter sobretudo a caça furtiva.  

A acompanhar a delegação parlamentar estiveram também especialistas estrangeiros. Para o Secretário Executivo da Fundação de Protecção ao Elefante, Miles Geldard, “é imperioso que Angola capacite tecnicamente quadros para a preservação desta espécie”. Garantiu, no entanto, que existe já um plano de acção do elefante criado no país, que se encontra em fase de implementação, visto que a população de elefantes reduziu drasticamente durante o período de guerra civil.

Segundo o Ruud Jansen, Secretário Executivo da Declaração de Gaberone, Angola tem um grande potencial para a recuperação da sua biodiversidade, que se foi perdendo ao longo dos últimos 25 anos. Mas para que isso aconteça, “o país deve apostar na restauração dos ecossistemas, o repovoamento que outrora existiu, como por exemplo o elefante, que é uma das principais espécie das áreas de conservação ambiental de Angola”, alertou o especialista.  

Importa referir que com a criação da Fundação Kissama, em 1996, teve início, através da operação “Arca de Noé”, o processo de reabilitação que a partir de 2001 começou a trazer animais de países vizinhos como a África do Sul e o Botswana, com o objectivo de repovoar o Parque. Chegaram especialmente elefantes e girafas, mas também avestruzes e olongos, guelengues e o gunga, o maior dos antílopes africanos. Estes animais encontram-se agora protegidos e vigiados por fiscais residentes na zona do “Santuário do Kawa”.

A operação “Arca de Noé” foi considerada o maior processo de transporte de animais selvagens da história.