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CRIANÇAS COM AUTISMO EMOCIONAM PARLAMENTARES

Um distúrbio neurológico comum, porém ainda pouco conhecido. Um diagnóstico difícil de lidar para qualquer família, mas novas pesquisas e bons exemplos mostram que é possível ter uma vida normal, mesmo para quem nasceu diferente.

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O autismo, também conhecido como Transtornos do Espectro Autista (TEA),é um transtorno que causa problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interacção e comportamento social da criança.

Dificuldades em fixar o olhar, movimentos repetitivos, atraso na fala, sensibilidade a certos sons e hiperfoco são alguns dos sinais. Esse transtorno não possui cura e as suas causas ainda são incertas. Contudo, o autismo pode ser trabalhado, reabilitado, modificado e tratado.

Numa acção enquadrada nas jornadas alusivas ao mês da criança, os deputados da 8ª Comissão de Trabalho Especializada da Assembleia Nacional e representantes da 7ª e 6ª CTE’s responderam ao pedido da Associação Angolana de Apoio às Pessoas Autistas e Portadoras de Transtornos Globais de Desenvolvimento (APEGADA) e visitaram o único centro do País, que faz acompanhamento gratuito a crianças, jovens e adultos que sofrem desta patologia.

“Hoje está a ser um dia muito difícil para todos nós. Sinceramente não pensei que fosse encontrar um quadro tão desolador mas é graças ao amor que vocês dão a estas crianças, que este Centro está erguido. Eu acredito que se todos continuarmos unidos, vamos conseguir reverter este cenário”, disse a Vice-presidente da Comissão sobre Família, Infância e Acçao Social, Deputada Ruth Mentes, num discurso emocionado.

Situada no Kifica, município de Talatona, a APEGADA foi contruída com o apoio de algumas empresas privadas e a contribuição dos pais.

Apesar de não existirem dados oficiais sobre o número de autistas no País, estão inscritas neste Centro mais de 600 pessoas, um espaço com capacidade para acolher apenas 10 doentes.

Segundo o Presidente da Associação, António Teixeira, em Angola as autoridades desconhecem o número de pessoas que vivem com autismo e, por falta de informação, o autista é confundido com um doente mental, acabando por ser excluído e discriminado pela sociedade. Por isso, a associação pretende “continuar a contar com o apoio dos Homens das Leis na consciencialização e divulgação da doença à sociedade.” O responsável espera ainda que a associação seja elevada à categoria de organização de utilidade pública e que os seus projectos sejam incluídos no Orçamento Geral do Estado.

A APEGADA foi criada em 2013, com a finalidade de proteger os direitos das pessoas autistas, síndrome de Down, paralisia cerebral e outros portadores de transtornos globais do desenvolvimento.

A principal dificuldade deste centro prende-se com a falta de verbas, carência de uma equipa multidisciplinar e transporte para a recolha e distribuição destas crianças, uma vez que a maioria dos pais reside distante. Preocupações que passam, agora, a constar da lista de prioridades dos deputados à Assembleia Nacional.

Actualmente, estima-se que 70 milhões de pessoas em todo o mundo possuem algum tipo de autismo, de acordo com dados indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O 02 de Abril é o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo.