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COVID-19 PASSOU A SER O MAIOR DESAFIO DO MUNDO

Quem o diz é o Director do Centro de Estudos e Formação Médica (CEDUMED) da Universidade Agostinho Neto, Mário Fresta, que falava aos deputados afectos à 6ª Comissão de Trabalho Especializada da Assembleia Nacional, durante a palestra realizada na manhã desta terça-feira, subordinada ao tema "COVID-19 (Angola) - Desafios na Gestão e Análise da Informação".

Na sua comunicação, Mário Fresta referiu-se a COVID-19 como “o maior desafio que mundo atravessa”, pelo seu impacto na saúde, na economia e na sociedade. Por isso, tem merecido uma grande atenção das autoridades nacionais e globais, levando deste modo os parlamentos de todos os países a necessidade de actualização e reflexão permanentes sobre esta situação.

O mundo registra actualmente 9 milhões de casos que resultaram até ao momento em 460 mil óbitos. Portanto, Mário Fresta mostrou-se preocupado com o incumprimento das medidas de combate à propagação do Coronavírus, uma vez que não se respeita o distanciamento social e a utilização de máscara em locais públicos.

Para melhor abordagem sobre a COVID-19, é necessário que se defina o problema central, prioridades no seu combate, desenvolvimento de projectos, aprovação e financiamento dos projectos, fiscalização e avaliação faseada da evolução da pandemia até o seu controlo. Por seu turno, os parlamentares expressaram preocupação com o volume de falsas informações sobre a doença.

O orador apresentou alguns critérios para melhor gestão da doença passando pela identificação dos grupos de risco, pessoal infectado e doentes. Mário Fresta alertou, por outro lado, para os casos não assintomáticos por ser considerado o maior vector para a propagação da doença. Concluiu, no entanto, que para um bom seguimento e gestão da doença é necessário ter uma boa comunicação social e institucional, parceira internacional, informação actualizada e estimular a investigação científica, sem descurar a medicina tradicional.

A palestra abordou também a dependência de África sobre os demais continentes, no que diz respeito as medidas políticas a serem adoptadas, sendo que, para muitos, o país está a abrir-se no momento em que os casos positivos registam uma subida vertiginosa.

Mário Fresta admite que enquanto as grandes cidades albergarem uma grande concentração populacional, que concorrem para os problemas de saneamento básicos existentes, é normal que surjam novos vírus.

Quanto ao reinício do ano lectivo, o prelector adiantou que são vários os desafios colocados, tendo enfatizado as insuficiências do próprio sistema de ensino, que passam pelo reduzido número de professores, falta de água nas escolas, alto custo do material de biossegurança, elevado custo das telecomunicações. Questões estas que se não ultrapassadas irão condicionar o regresso às aulas.

No final do encontro, o deputado e moderador da palestra, Maurílio Luiele, fez um balanço positivo do encontro e felicitou o CEDUMED pela iniciativa, destacando que “a problemática da COVID-19 é uma causa de todos”.

Angola regista actualmente 186 casos positivos, 99 dos quais activos, 77 recuperados e 10 óbitos.