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PARLAMENTOS DE LÍNGUA PORTUGUESA TROCAM EXPERIÊNCIAS SOBRE COMUNICAÇÃO

Considerando a nova ordem mundial, devido a pandemia da Covid-19, a Assembleia Nacional de Angola promoveu hoje, em formato virtual, o I Encontro de Quadros da Comunicação Social dos Parlamentos de Língua Portuguesa (ASGPLP), sob o lema "Os Desafios da Comunicação Institucional em Tempos de Pandemia".

Ao intervir na abertura do encontro, o Secretário-geral da Assembleia Nacional de Angola, Pedro Agostinho de Neri, destacou a importância da boa comunicação dentro das instituições, salientando que esta área tornou-se fundamental na disseminação de informações interna e externamente. Na ocasião, Pedro Agostinho de Neri disse que é preciso aproveitar ao máximo os vários instrumentos de comunicação disponíveis actualmente, de modo a potenciar cada vez mais as instituições.

Por sua vez, o Presidente da ASG-PLP e Diretor-Geral da Câmara dos Deputados do Brasil, Sérgio Sampaio de Almeida, reiterou que a comunicação é uma ferramenta essencial e estratégica para construir uma relação de credibilidade e reputação junto ao público externo.

Sérgio Sampaio referiu que com o passar do tempo, os meios de comunicação vão ganhando uma outra dimensão dentro da nova realidade. “O grande desafio dos parlamentos diante dessa realidade é buscar uma adaptação de modos a garantir uma comunicação mais eficiente nesses novos tempos”, disse o Presidente da ASG-PLP.

Foram vários os temas abordados no encontro. “O Desempenho das Funções da Direção de Comunicação do Parlamento Nacional de Timor-Leste em Tempo de Pandemia” foi o tema apresentado pela representante da Divisão de Relações Públicas e Educação Cívica do Parlamento daquele país, Guilhermina Barbosa, que discorreu sobre as medidas adoptadas pela área de comunicação do parlamento de Timor-Leste, no contexto da pandemia.

Na sequência do encontro, com o tema “A Comunicação Institucional em Tempo de Pandemia”, o Diretor do Gabinete de Comunicação e Imagem da Assembleia Nacional de Angola, Domingos de Carvalho, fez um breve resumo daquilo que têm sido as medidas, tanto políticas quanto administrativas, implementadas pelo parlamento angolano ao longo do período pandémico.

A suspensão das visitas públicas ao parlamento; o aumento as medidas de higiene e biossegurança, como a instalação de aparelhos e dispositivos para a desinfestação das mãos; a redução presencial do número de funcionários e adopção do trabalho remoto; a realização de testes de covid à todos os deputados e funcionários; a criação de um gabinete de crise para a gestão do contexto actual e várias outras medidas, foram alguns dos exemplos citados por Domingos de Carvalho. 

“Temos trabalhado no sentido de fortalecer e promover a identidade corporativa, virada para uma comunicação interna forte. Contudo, temos de reconhecer que os desafios que se colocam ainda são gigantes”, afirmou o Diretor do Gabinete de Comunicação e Imagem da Assembleia Nacional de Angola.

O Brasil esteve representado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. “Tecnologia, a grande aliada da Comunicação da Câmara dos Deputados do Brasil em Tempos de Covid-19” foi o tema apresentado pelo Representante da Secretaria de Participação, Interacção e Mídias Digitais da Câmara dos Deputados do Brasil, Jorge Paulo de França Júnior. O mesmo discorreu sobre as vantagens do uso das novas tecnologias no trabalho a distância e como esse facto repercutiu de forma positiva no aumento do público-alvo.

A Chefe de Gabinete da Directoria-Geral do Senado Federal do Brasil, Juliana Borges dos Santos, coadjuvada pelo Chefe Adjunto do mesmo Gabinete, Daniel de Souza Pinto, apresentou o tema “A Comunicação Interna em Tempos de Pandemia: Como Acções de Humanização movimentaram as relações entre os Funcionários do Senado Federal”.

Os dois preletores falaram da necessidade de criação de acções a nível interno, de formas a criar uma maior aproximação e interacção entre funcionários e colaboradores e gerar o sentimento de pertença dos mesmos em relação a instituição.

Moçambique, por sua vez, apresentou o tema “O Papel da Comunicação Social no Parlamento moçambicano: desafios e perspectivas”, tendo como prelector o Director da Divisão de Relações Públicas e Internacionais da Assembleia daquele país, Oriel Chemane. Já a Guiné Equatorial marcou presença com o tema “A Organização Informativa do Gabinete de Imprensa do Senado Antes e no Tempo do COVID-19”, apresentado pela Coordenadora do Gabinete de Imprensa do Senado, Pilar Mangue Obama e o Tradutor e Interprete do Senado, Jonas Micha Asumu Nchama.

Da Assembleia da República de Portugal, o Diretor do Gabinete de Comunicação, João Amaral, apresentou o tema “A Comunicação Social nos Parlamentos Modernos: Queridos Inimigos?”

Por fim a Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, na pessoa do seu Diretor do Gabinete de Comunicação e Imagem, Martinho Tavares, apresentou o tema “Comunicação Social Parlamentar – Os Desafios da Interação Eleito e Eleitor”.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES DO ENCONTRO

O I Encontro de Quadros da Comunicação Social dos Parlamentos de Língua Portuguesa produziu uma série de recomendações, das quais se destacam a importância de manter a realização periódica de Encontros dos Quadros de Comunicação Social, por se revelar uma plataforma valiosa para partilha de conhecimento e boas práticas entre os profissionais desta área; a criação de condições de biossegurança, por parte dos Parlamentos, que permitam aos profissionais da comunicação social desempenhar as suas actividades em segurança; munir a comunicação social com os meios de trabalho necessários, uma vez que a mesma constitui uma ferramenta indispensável na prevenção e combate da Covid-19.

Entre as recomendações figura também a necessidade de capacitação permanente dos quadros da comunicação social, uma vez que a Covid-19 criou uma oportunidade para a massificação do uso das tecnologias de informação e comunicação, com destaque para as videoconferências.

De igual modo, é posta a reflexão a implementação do Parlamento electrónico no espaço da CPLP, incluindo ao nível do investimento tecnológico, uma vez que a pandemia da Covid-19 constitui um desafio para a continuidade do trabalho parlamentar. Recomenda-se, por outro lado, que as videoconferências e demais comunicações electrónicas sejam mantidas como instrumentos de reforço da cooperação entre os profissionais de comunicação social dos Parlamentos de Língua Portuguesa.