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PARLAMENTO HOMENAGEIA WALDEMAR BASTOS E CARLOS BURITY

Aos músicos angolanos recém falecidos, os deputados à Assembleia Nacional renderam hoje uma sentida homenagem pela dedicação à cultura nacional e sua divulgação pelo mundo, por meio da música.

Além da exibição de vídeos de actuações de Waldemar Bastos e de Carlos Burity, ouviram-se cânticos na Sala de Plenário, interpretados pelo Grupo Coral da Assembleia Nacional de canções dos dois homens de cultura, que deixam um vasto e valioso legado musical, em prol da afirmação da “nossa” angolanidade.

 

CARLOS BURITY

Descrito como um cantor “revolucionário” e de originalidade “impar”, Carlos Burity tornou-se um ícone do estilo musical “Semba”, interpretando as vivências das comunidades urbanas e rurais. Notabilizou-se, por isso, como autor de temas, como “Malalanza”, “Tia Joaquina”, “Tona Cashi”, “Manazinha” e “Mucangiami”.

Carlos Fernandes Burity Gaspar iniciou-se na música em 1968. Gravou, em 1974, sucessos como “Ixi Iami” e “Recado”, com o Grupo Semba, uma selecção de músicos angolanos que ficou na história da música popular angolana, o seu primeiro single. 

Natural de Luanda, cidade onde nasceu em 1952, Burity integrou, em 1968, a formação pop–rock “Cinco mais um”, com Catarino Bárber e José Agostinho, o último do Duo “Missosso”, com Filipe Mukenga. 

 

WALDEMAR BASTOS

Dotado de uma voz estridente e singular, Waldemar dos Santos Afonso de Almeida Bastos, nascido a 4 de Janeiro de 1954, em Mbanza Kongo, tornou conhecido números emblemáticos do cancioneiro angolano, como “Humbi Humbi Yange” e retratou de forma sui generis períodos gloriosos da história recente de Angola, através das célebres músicas “Velha Chica” e “Margarida”.

Waldemar Bastos foi um exímio representante da música angolana, tendo sido reconhecido em várias ocasiões pela sua criatividade ímpar, com destaque para os prémios New Artist of de Year, dos World Music Awards, em 1999, e o Prémio Nacional de Cultura e Artes, em 2018.

Refira-se que ao longo de 40 anos de carreira, Waldemar Bastos foi distinguido com vários prémios nacionais e internacionais. O disco “Preta Luz”, lançado em 1998, foi considerado pelo jornal norte-americano New York Times como um dos melhores da década de 1990, tendo sido referenciado por Tom Moon, como um dos discos que temos de ouvir antes de morrer.

O malogrado tem no mercado discográfico, entre outros, os álbuns “Estamos Juntos” (EMI Records Ltd), “Angola Minha Namorada” (EMI Portugal), “Pitanga Madura” (EMI Portugal), “Preta luz” [blacklight] (Luaka Bop), “Renascence” (World Connection), “Love Is Blindness” (2008), e “Classics of my soul” (2012).

O país vê partir “prematuramente” para outra dimensão, num período de menos de 48 horas, Walder Bastos a 10 de Agosto, em Lisboa, aos 66 anos, e Carlos Burity, a 12 de Agosto, em Luanda, aos 67 anos, dois dos mais brilhantes intérpretes da música angolana, ambos vítimas de doença.