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HOSPITAL PEDIÁTRICO ENFRENTA VÁRIAS LIMITAÇÕES

Depois do Grupo de Mulheres Parlamentares, foi a vez da 8ª Comissão de Trabalho Especializada visitar nesta sexta-feira, dia 06, o Hospital Pediátrico David Bernardino, em Luanda. O cenário encontrado foi pouco animador.

Crianças com malária e doenças respiratórias agudas enchem todos dias as consultas da referida unidade hospital, que atende diariamente mais de 400 casos, dos quais 3 a 5 acabam em óbito.

Em declarações à imprensa, Francisco Domingos, Director Geral do Hospital Pediátrico, referiu que o número de pacientes aumenta nesta época chuvosa.

"Nesta altura há uma média de atendimento entre as 300 e 400 crianças, das quais 50 a 60 são internadas. Isto reflete que as restantes crianças deveriam ser atendidas nos cuidados primários de saúde, ou seja, a nível dos centros de saúde, dos hospitais municipais e só aquelas que tivessem complexidade é que deveriam ser referenciadas para o nosso hospital",sustentou.

Quanto à taxa de mortalidade infantil os dados indicam que mais de 50% destes casos morrem nas primeiras 48 horas, após entrada no hospital pois chegam à unidade sanitária em estado grave.

Para Ruth Mendes, Vice-presidente da Comissão de Família, Infância e Acçao Social, a visita permitiu constatar as limitações que o hospital infantil ainda apresenta principalmente no que diz respeito à falta de meios e medicamentos. No entanto, a parlamentar reconheceuo esforço que o quadro clínico e os trabalhadores fazem para que toda a criança que se dirige àquele hospital não saia sem atendimento.

"Isso para nós é muito importante, considero que a equipa de trabalhadores são de facto uns verdadeiros heróis. O Hospital Pediátrico ainda tem algumas dificuldades. Nós vamos reportar à Direcção da Assembleia, mas também vamos fazer advocacia para quando for aprovado o Orçamento de Estado para 2019 as verbas atribuídas ao Hospital Pediátrico sejam acrescidas”, disse a Deputada no final da visita que esteve inserida no plano de actividades da 8.ª Comissão da Assembleia Nacional.

O hospital conta, actualmente, com 88 médicos e 334 enfermeiros, que correspondem a apenas dois terços das necessidades reais, números insuficientes de acordo com o responsável, tendo em conta a complexidade das doenças.

“De médicos até não temos grandes deficiências, temos mais a nível dos enfermeiros, que é a base do atendimento na saúde, o que está próximo do doente e a nível dos enfermeiros, nós temos dois terços das necessidades",esclareceu o Director Geral.

Além da malária, doenças respiratórias agudas, o corpo de médicos vê-se a braços para atender casos de infecção do recém-nascido e algumas doenças que poderiam ser prevenidas por vacinação, nomeadamente o tétano e meningite.

O Hospital Pediátrico de Luanda passou, em 2004, a designar-se "Hospital David Bernardino" em memória ao médico angolano com o mesmo nome, que dedicou a sua vida às crianças e preocupou-se não só com os cuidados hospitalares dos doentes mas também com o seu bem-estar psicológico e social.

A jornada de trabalho da 8ª Comissão de Trabalho Especializada da Assembleia Nacional terminou no Instituto Nacional da Criança (INAC). No encontro com membros daquela instituição vocacionada à protecção dos direitos da criança, os Deputados receberam explicações dos projectos e programas traçados pela mesma.